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riscos_e_rabiscos

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Explodiu!

 

 

Parece que hoje foi detectado um pacote suspeito no metro de Telheiras. Vá de especulação acerca de terrorismo e proceder-se ao protocolo normal nestas ocasiões: fazer o pacote ir pelo ar controladamente.

 

Mas parece que aquilo era um electronic device inócuo. Sabem lá se não era o computador comprado pela net e que o Zé das Couves foi buscar aos correios?! É que o Zé das Couves tem um grave problema: assim que entra no metro, entra-lhe uma soneira incontrolável pelos sentidos adentro. Uma abridela de boca para aqui, um piscadela de olhos para ali, um deslize lento pelo banco abaixo e a inclinação suave da cabeça até se aconchegar de encontro ao vidro.

 

Dorme o sono dos anjos. Não raramente, é acordado pela simpática moça da gravação electrónica a avisá-lo que está a chegar ao seu destino. Acorda assustado, assarapantado e levanta-se, qual zombie, em direcção à porta para sair.

 

O Zé das Couves já é famoso na secção dos Perdidos e Achados. É, talvez, o cliente mais assíduo daquele serviço. Já perdeu tudo e mais alguma coisa – excepto a cabeça porque está agarrada ao corpo – nestes seus repentes para sair.

Até aposto que, desta vez, a culpa foi dele!

 

Mas isto de explosões não é só no metro. Ou pensando bem, até “tem” origem no metro. Vejam lá se eu não tenho razão.

Como sabem, ou pelo menos desconfiam, o metro é o ponto de partida e de chegada do bus que me leva ao colégio. A rotina é sempre a mesma.

Ontem, cheguei ao metro, dirigi-me à zona das paragens e enfiei-me no primeiro que por ali passou. Para vir para casa todos me servem.

Vinha eu toda refastelada sentada no banco e entretida a ouvir um cidadão brasileiro a entreter dois miúdos com cantorias e vozes diferentes, quando se aproxima o meu destino de saída.

Toquei na campainha e dirigi-me para a porta. Assim que chego à minha paragem e saio, vejo uma neblina e uma senhora aos gritos. Não percebi nada! E, aquela neblina, para mim, devia ser nevoeiro.

 

É então que me aproximo da senhora e percebo o que se está a passar. Ela grita muito aflita “fujam, fujam, que a camioneta explode! Grande explosão que a camioneta deu!”

Sai o motorista e todos os passageiros da camioneta que iam confortavelmente instalados. Nova explosão, desta vez mais pequena. Comecei a desandar dali para fora pois não me apetecia levar com nenhuma peça do autocarro na cabeça. Depreendi que o problema fosse no motor pois o fumo vinha dessa direcção.

 

Agora pergunto eu: será que também era algum engenho explosivo que lá colocaram? Ou foi alguma bombinha de Carnaval? Foi um problema mecânico? E então já não é terrorismo?

 

A culpa é do metro. Foi da zona do metro que a camioneta saiu e que teve origem o despoletar do problema. E também é um caso de terrorismo. Ah, pois! Vem uma pessoa de rastos do trabalho, desejosa de chegar a casa. Instala-se na camioneta toda satisfeitinha e, de repente, um percalço destes. Tem de sair da camioneta, esperar por outra, que por sinal vem a abarrotar e já nem se pode sentar para descansar o corpinho.

Além disto tudo, ainda vai chegar mais tarde a casa. Agora digam lá, é ou não é terrorismo para com quem trabalha?!